O Programa Cão de Gado continua em desenvolvimento. Apresentam‑se a seguir alguns dos principais resultados obtidos.
Cães Integrados
Desde o seu início, esta linha de ação permitiu apoiar mais de 380 criadores de gado e a integração, em rebanhos de cabras e/ou ovelhas ou em manadas de vacas, de mais de 690 cachorros pertencentes às raças Cão da Serra da Estrela, nas variedades de pelo curto e pelo comprido, Cão de Castro Laboreiro, Cão de Gado Transmontano e Rafeiro do Alentejo, bem como o seu acompanhamento e avaliação.
Dos cães integrados cerca de 55% são machos e 45% são fêmeas, maioritariamente pertencentes às raças Cão da Serra da Estrela (com cerca de 340 cães, maioritariamente de pelo curto) e Cão de Castro Laboreiro (com mais de 280 cães).
Mortalidade
Os cães de gado, como cães de trabalho muito particulares, estão sujeitos a um grande número de perigos (para além das doenças), como sejam o atropelamento, o tiro, as armadilhas, o veneno ou mesmo o ataque de lobos (embora neste caso o número de situações seja muito reduzido, tendo em conta a presença constante dos cães em território de lobo). Estes perigos resultam numa mortalidade superior aos 40% nos 2 primeiros anos de vida, embora alguns tenham conseguido ultrapassar os 12 anos de idade.
A mortalidade obtida é baixa quando comparada com a registada noutros projetos nos Estados Unidos da América. Num período de 6 anos, em que foram integrados 449 cães, foi registada uma mortalidade de 50% antes dos 18 ou 38 meses, consoante o tipo de exploração (Lorenz et al., 1986). Num outro estudo com 100 cães, é referida uma mortalidade de 39% nos dois primeiros anos e de 6,3% para os anos seguintes (Green et al., 1994).
Avaliação
A avaliação efetuada permitiu concluir que os cães de gado integrados apresentam uma eficiência bastante elevada. Segundo 90 criadores de gado participantes, a presença dos cães permitiu reduzir, em 74% dos casos, os prejuízos causados por lobos, tendo a diminuição registada variado entre os 13 e os 100% (Ribeiro & Petrucci‑Fonseca, 2005).
O comportamento exibido pela maioria dos cães integrados (>90%) é avaliado pelos técnicos e pelos proprietários como Muito Bom ou Excelente (Ribeiro & Petrucci‑Fonseca, 2005).
Os criadores de gado participantes estão, em geral, muito satisfeitos com os seus cães, considerando o seu desempenho Muito Bom ou mesmo Excelente, e solicitando frequentemente mais cães para os seus rebanhos.