
Mitos e Realidades
O conflito existente entre o Homem e o Lobo tem fortes raízes que oriundam sobretudo a partir do período medieval, altura em que o lobo começa a possuir a conotação de animal maligno, devoradora de homens, mulheres e crianças. As causas desta atitude parecem ter origem, fundamentalmente, na Igreja Católica, a qual utilizava o lobo como símbolo satânico, animal que punha em causa "o rebanho de Deus", ou seja, a Humanidade Católica. A grande religiosidade do povo medieval, fez com que depressa assimilassem esta ideia, dando ao lobo uma dimensão mitológica e sobrenatural, expressa em várias lendas, histórias e crenças, algumas delas ainda hoje vivas nos habitantes serranos da Península Ibérica.
A realidade é bem diferente, o lobo é um magnífico animal, que faz parte de uma Natureza harmoniosa...
"Os lobos representam, mais do qualquer outro animal, o lado selvagem e livre da vida que perdemos e que actualmente procuramos recuperar com um afã que apenas aumenta a artificialidade do que alcançamos. São eles que nos fazem sentir e ver o caminho de que nos desviámos..." (Prefácio de Francisco Fonseca in "Lobos. Colectânea")

Os prejuízos económicos associados à predação do lobo nos animais domésticos, aumentou o simbolismo sombrio que o lobo carrega. Esta situação é o resultado da má gestão que o Homem faz dos recursos naturais, que levou à escassez das presas naturais deste canídeo.

As comunidades religiosas e agro-pastoris das montanhas do Noroeste de Portugal, ainda bastante isoladas, permitiram a sobrevivência até hoje de um rico património cultural relativo à sua relação com o lobo, expressa em várias lendas, mitos, crenças e aspectos materiais, que já é impossível encontrar em outras regiões da Europa. Como exemplos destas manifestações culturais são de referir o fojo do lobo (monumentos seculares para a captura dos lobos, efectuados em pedra e que possuem, nas montanhas do Norte Ibérico, a única área de ocorrência a nível mundial) e a utilização de um troço da traqueia do lobo - "gola do lobo", para curar uma doença denominada "lobagueira" e que somente se manifesta no porco doméstico.
Espécies e Subespécies
Existem três espécies de lobos : o lobo vermelho (Canis rufus), o lobo da etiópia (Canis simensis) e o lobo cinzento (Canis lupus). Segundo alguns autores, esta última espécie pode ser subdividida em cerca de 30 subespécies, entre as quais se encontra o lobo ibérico (Canis lupus signatus).
Distribuição
O lobo distribuía-se por todo o Hemisfério Norte, à exceção do Norte de África, vivendo em diferentes habitats: as zonas geladas do Alasca, a tundra da Sibéria, as florestas da América do Norte e da Eurásia, e as regiões semi-desérticas da Arábia.

Atualmente a sua área de distribuição está muito reduzida. Na Europa as populações lupinas encontram-se, geralmente fragmentadas em núcleos pequenos, estando as maiores populações nos países de Leste. Também na América do Norte e Central se verificou uma grande diminuição da população de lobos.
Nos últimos anos, na Europa Central, a população lupina aumentou em número e em área de distribuição, voltando a recolonizar áreas de onde havia desaparecido. Lobos dos países de Leste expandiram-se para Oeste (Alemanha e República Checa) e os lobos de Itália migraram para Norte (Suíça, Áustria e França).
Esta situação resulta da mudança das atitudes públicas para com o lobo e da alteração da ocupação do território pelo Homem.
Também no Leste dos Estados Unidos da América, nas regiões fronteiriças com o Canadá, se verifica atualmente uma expansão da espécie.
O último censo a nível mundial realizado em 1998, refere a presença de lobo em 43 países: em 83% destes o número de lobos é estável ou tende a aumentar, e em 17% o número de lobos está a diminuir.






